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 A crise, a Bolsa e os bolsos 18/04/2008 - 17:16
Variação forte nas Bolsas e perspectiva de alta dos juros sugerem "hora de reflexão" para o pequeno investidor

O pânico passou nos EUA. Isto é, o pânico das duas últimas semanas. Novos poderão vir, ainda nesta semana. O estado clínico da economia americana e o mais recente "pulo do gato" das Bolsas diz algo sobre aplicações financeiras? Em parte. No que diz respeito a juros, a conversa é quase toda doméstica. O Banco Central está com a mão no gatilho para aumentar juros em abril, dada a inflação. Os juros já subiram na praça, e aqueles pagos pelo governo para remunerar os títulos de sua dívida parecem ter subido de patamar.
As ações brasileiras têm sofrido muito menos que as americanas. Mas o Ibovespa parece um joão-bobo a oscilar entre 57 mil e 65 mil pontos, se tanto. No final de 2007, dizia-se que o Ibovespa iria a 80 mil pontos no final de 2008. Agora, os chutes ficam entre 70 mil e 75 mil.
Aceitando a pior dessas hipóteses, o ganho seria de 13% até dezembro.
Mas, dado o furacão de incertezas no curto prazo (este ano), tais palpites são loteria. E quem quer ganhar com a gangorra do Ibovespa deve lembrar que o brinquedo pode em certo momento parar perto do chão.
Os juros sobem, embora também variem diariamente. Tome-se por exemplo um título público, oferecido também no Tesouro Direto, uma NTN-B que vence em maio de 2011 (paga juros semestrais, com taxa fixada no momento da compra e, no vencimento, o valor investido corrigido pelo IPCA). Em dias de pânico, como 16 de agosto de 2007, o título chegou a pagar 8% ao ano, contra 7% uma semana antes. Mas, desde meados de 2007, a taxa desses títulos tende à alta. Estavam anteontem em 8,12% ao ano, fora a inflação. E o BC deve elevar juros.
Parêntese: títulos do Tesouro Direto pagam o rendimento fixado se forem "carregados" até o vencimento. Se vendidos antes, estão sujeitos aos preços de mercado.
Se o BC elevar juros, fundos com juros prefixados (de renda fixa) perdem um pouco. Mais de metade das subcategorias de fundos de investimento está no vermelho neste ano. Vão bem os conservadores fundos DI e fundos multimercado sem renda variável (ações), em especial os com alavancagem (de risco bem alto). Para aplicadores pequenos, fundos referenciados, como os DI, pagam bem menos que títulos do Tesouro Direto, pois os bancos cobram os olhos da cara em taxa de administração e pela intermediação.
Este texto não20é recomendação de investimento. Decisões sobre onde aplicar dependem de quando será preciso resgatar o dinheiro, da idade do aplicador, de quanto dinheiro tem, da diversificação da carteira etc. Isto é só um cenário sumaríssimo e modestíssimo sobre riscos da renda variável no curto prazo, a tendência de alta nos juros e a perspectiva de rendimento nos dois casos.
Fonte: Vinícius Torres Freire - Folha de S.Paulo
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